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Apuração feita pelo SIFUSPESP com base em exames encaminhados pelos funcionários mostra que já são 128 os casos confirmados de COVID-19 entre integrantes dos quadros da SAP. Doença também já vitimou 12 detentos

 

por Giovanni Giocondo

Com o diagnóstico positivo para a COVID-19 de um servidor da Penitenciária Feminina de Santana que faleceu em São Paulo, na sexta-feira (15), subiu para 10 o total de funcionários que morreram vítima do coronavírus no sistema prisional paulista. O óbito foi confirmado nesta terça-feira(19) pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). No total, 12 sentenciados também já morreram em virtude da doença.

Além desses óbitos, são mais 118 casos confirmados entre os integrantes dos quadros da SAP, número considerado alto dentro da perspectiva do baixo número de testes aos quais à categoria tem sido submetida. Entre os presos, o número chega a 15 confirmações, de acordo com a SAP, e a 50, conforme informações do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Todos os exames que atestam positivo para o coronavírus têm sido repassados pelos pelos próprios servidores contaminados pela doença, ou por seus familiares, para que o SIFUSPESP mantenha uma tabela atualizada com os dados e adote ações efetivas que visem à combater a pandemia do coronavírus pelo sistema.

A SAP admite somente 41 casos de funcionários contaminados, e afirma que a divergência de números tem relação com o fato de que os testes só entram na contagem total de confirmações caso sejam feitos em um dos 38 laboratórios credenciados pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. 

Por outro lado, a pasta divulga o número de 192 servidores afastados e 105 detentos isolados em virtude da suspeita de contágio. No entender do SIFUSPESP, estes casos só permanecem em um status de “limbo” porque até o momento não tem sido adotada uma política de testagem em massa entre os trabalhadores e a população carcerária.

“A subnotificação é um dos fatores que impedem a adoção de medidas emergenciais de contenção da pandemia no sistema prisional. Se conseguirmos mapear o número real de casos envolvendo todas as unidades - que só será obtido com a testagem em massa - poderemos afastar e isolar todos os doentes assintomáticos e somente assim conseguir reduzir esse índice de contaminação que já ceifou a vida de tantas pessoas”, reflete o presidente do SIFUSPESP, Fábio Jabá.

Ainda no olhar do sindicalista, falta transparência à SAP, que poderia utilizar ferramentas virtuais em seu site oficial e redes sociais para manter um quadro atualizado sobre os casos, oferecendo assim uma dimensão real do perigo que vem assolando o sistema prisional e tende a ser mais letal dentro das grades, na comparação com as ruas. “Quanto mais informações estiverem disponíveis e acessíveis, mais simples será a construção de um plano de contingência da COVID-19 que preserve a saúde de todos”, reitera Jabá.

Como forma de seguir na linha de frente do combate ao coronavírus, o SIFUSPESP têm impetrado inúmeras ações judiciais com o objetivo de solicitar prioridade da testagem rápida para os mais de 40 mil servidores e 235 mil detentos do sistema, além de exigir da SAP o fornecimento obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPIs) de qualidade a todos e de solicitar a suspensão das transferências de sentenciados entre as unidades.