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O Setembro Amarelo, mês da valorização da vida e prevenção ao suicídio, vem tomando cada vez mais visibilidade nos meios de comunicação. Para a categoria dos agentes penitenciários, essa dura realidade acontece com uma grande frequência e o tema, mesmo que não debatido nas redes, é pensado no ambiente de trabalho.

Sabemos que as condições, como vivenciar stress e violência constantemente, ameaça permanente de possíveis atritos, de agressões físicas, são determinantes para o agravamento de questões pessoais que podem vir à tona quando o ambiente - no caso dos agentes, o ambiente de trabalho - é condicionado para essas realidades.

Não basta ter uma família que apoia, fazer exercícios físicos, alimentar-se bem e, ao chegar na penitenciária, o clima de violência é crescente, seja nas condições insalubres, na super lotação, nas jornadas duplas ou triplas muitas vezes que alguns colegas de trabalham precisam fazer para complementar sua renda, gerando estafa, medo constante e certa banalização da vida.

Ver colegas e apenados feridos ou mortos gera também uma espécie de costume triste de que “a vida é assim” e sendo assim, pode acabar a qualquer hora. Passamos boa parte do tempo da nossa vida na penitenciária, e o discurso que a qualidade de vida está fora dela é muito estranho.

Precisamos buscar qualidade de vida dentro do trabalho e isso é construído com questões objetivas. Questões que passam desde a luta contra a privatização e a favor da valorização e melhorias nos locais de trabalho, até grupos de conversa nas penitenciárias, onde todos os colegas possam falar de suas questões no trabalho, olharem um para o outro e se reconhecerem nas dificuldades e, o mais importante, perceber que não estão sozinhos.

Que mesmo com as histórias de cada um, as dores também podem ser parecidas.
Falar é a melhor prevenção contra o suicídio, não ter medo de falar que está sofrendo e poder falar das causas desse sofrimento.

Somos treinados para sermos fortes e de fato precisamos ser. Mas é necessário pensar quais os momentos em que precisamos ser acolhidos e acolher, ter momentos para poder falar de si mesmo.

Fábio Jabá 
Presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo - SIFUSPESP