compartilhe>

Mobilização nesta terça (18) reivindica que governo Doria repasse os 2% de contrapartida dos servidores ao Iamspe; crise no atendimento afeta todo o Estado de SP

 

Por Flaviana Serafim 

Diretores do SIFUSPESP participam nesta terça (18) do “Dia estadual em defesa do Iamspe”, que ocorre a partir das 8h, simultaneamente em 18 Centros de Atendimento Médico Ambulatorial (CEAMAs) de todas as regiões do Estado e também em frente ao Hospital do Servidor Público Estadual, na capital paulista (Rua Pedro de Toledo nº 1800 - Vila Clementino).

A principal reivindicação dos trabalhadores e trabalhadoras é a manutenção do atendimento, o que passa necessariamente pelo repasse, por parte do governo João Doria, dos 2% de contrapartida paga pelos servidores ao Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual (Iamspe). Outra bandeira é pela implementação dos conselhos Administrativo, Fiscal e Deliberativo paritários no instituto.

Em vez do repasse de recursos, houve corte no orçamento provocando falta de material, demora de mais de dois meses para realização de exames e rede conveniada insuficiente.  O impacto representa um aumento de 20% nas filas para internações, cirurgias, consultas, exames laboratoriais e de imagem, afirma Guilherme Nascimento, presidente da Comissão Consultiva Mista (CCM) do Iamspe.

Nascimento explica que o orçamento aprovado junto à Assembleia Legislativa, em 2018, aumentou cerca de R$ 100 milhões na comparação com os anos anteriores. Porém, Doria, além de não repassar os 2% de contrapartida, cortou o orçamento entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões, e contingenciou outros cerca de R$ 50 milhões.

Com o corte, o Iamspe não vai mais pagar os chamados gastos extrateto, usados para o pagamento de serviços necessários além do que é contratado pelo instituto, como a cobertura de emergências de atendimento, diz presidente da CCM.

Ainda segundo Nascimento, como o contingenciamento provoca um aumento natural do atendimento médico, a crise atinge o funcionamento do Iamspe em diversas regiões do Estado, tais como o ABC paulista e, no interior, Assis e Araçatuba.  

“Na medida em o governo faz essa política de corte e contingenciamento, nós voltamos ao orçamento anterior. Se o orçamento de 2018 já não deu para atender de uma maneira razoável, para 2019 é que não atenderá mesmo. Há uma série de problemas estourando ao mesmo tempo e o grande prejudicado é o usuário”, critica o presidente da CCM.

Sindicato defende descentralização do Hospital do Servidor

O SIFUSPESP integra a plenária de entidades do funcionalismo público em defesa do Iamspe e tem atuado junto com a CCM na defesa da descentralização do Hospital do Servidor Público. A proposta é para criação de um hospital regional do Iamspe no interior paulista, abrangendo quatro ou mais CEAMAs, sendo os mais distantes nas cidades de Araçatuba, Assis, Marília e Presidente Prudente.

A reivindicação foi encaminhada por ofício no início do ano aos deputados Mauro Bragato e Eder Tomas (PSDB), Reinaldo Alguz (PV), e ainda ao presidente da CCM, ao Ministério Público de Presidente Prudente e a Antônio Jayme Ribeiro, diretor do Departamento de Convênios (Decam) do Iamspe.

Segundo Luís da Silva Filho, o Danone, diretor de Saúde do Trabalhador do SIFUSPESP e integrante da CCM-Iamspe, muitos servidores do sistema prisional têm sido prejudicados pelos atrasos e até pela falta de atendimento médico gerados a partir dos cortes orçamentários adotados pelo governo do Estado. Por esse motivo, o sindicato se fará mais uma vez presente no ato com o objetivo de defender os interesses da categoria.

“Ao longo dos últimos anos, temos cobrado para que mais recursos sejam destinados ao instituto pelo Estado, mas o que vemos agora é um corte que coloca em risco a saúde do trabalhador, que não tem a quem recorrer e que arca com parte do seu salário, mensalmente, para fazer com que o Iamspe funcione. É inadmissível que essa medida seja adotada pelo governo e o SIFUSPESP não pode ficar inerte diante de mais esse ataque”, conclui.