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Publicada nesta terça-feira, 19/03, não se viu nomes de mulheres na Lista Prioritária de Transferência

 

O Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou nesta terça, 19 de março, a Lista de Transferência Prioritária (LPT), sendo que um número ínfimo de nomes de mulheres servidoras do sistema penitenciário apareceu. Emblemático destacar que estamos no mês das mulheres, e não apenas por isso a reclamação de muitas servidoras que se viram de fora. O desejo de inúmeras trabalhadores penitenciárias é trabalhar perto de suas famílias. Eis um dos grandes problemas, geradores de ansiedade e outros desgastes físicos e psicológicos: a mãe de família estar longe dos seus.

Algumas mulheres servidoras, indagaram em relação a isso nas redes sociais. É sabido que centenas de servidores aguardam sua vez a serem chamados na lista, anos corridos, mas aqui tratamos da trabalhadora. A mulher que tem dupla jornada de serviço, que trabalha e viaja sem deixar-se vencer pelo cansaço, muitas vezes sendo a única provedora de recursos da família. Que encara sua difícil rotina na unidade prisional e saindo dali procura despir-se da vida dentro dos muros da prisão - uma sociedade a parte, para que isso não altere a sua integridade: o sentido de poder estar ilesa e ser mãe e esposa e filha. Pessoa.

Uma das dificuldades agregadas ao próprio trabalho é a distância da família. A servidora não visualiza um dos principais alicerces de sua formação como pessoa. O ponto de apoio para a manutenção do equilíbrio emocional, o que pode acrescentar ansiedade à trabalhadora que já possui uma atividade de natureza geradora de estresse por si mesma, ainda que a estrutura do sistema penitenciário contemplasse todas as suas necessidades, o que não acontece, ainda mais em tempos de ameaça de privatização. O trabalho de agente penitenciário, aqui podemos citar, foi classificado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como a segunda profissão mais perigosa do mundo.

Uma das lutas do SIFUSPESP é que os trabalhadores consigam suas transferências, que as listas saiam dos papéis e que as famílias tenham suas angústias um pouco diminuídas por isso. Dentro de um difícil cenário político e econômico estabelecido, que apresenta sinais de mudanças, inclusive com ameaças ao sistema penitenciário estatal - o que levaria a grandes perdas, é complicado dizer quando. Mas a união é necessária diante do descaso da necessidade do trabalhador e principalmente da trabalhadora, que lembramos, não foi chamada como por direito para exercer o cargo de um concurso prestado em 2013 e 2014 e sem movimentação da mesma dentro das listas de transferências, onde é difícil entender como funciona a prioridade que ela carrega no nome. É necessário que se pensem critérios de equivalência proporcional e adaptados as características distintas entre homens e mulheres. E não tratar como comum que sejam nossas companheiras de trabalho sempre vistas como parte de um sistema secundário. Estas pequenas diferenciações e injustiças nos acomodam em situações de injustiça e insegurança, e não de justiça e fortaleza de todos e todas. O Sindicato somos todos e todas nós, unidos e organizados. Filie-se!