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Entenda a paralização dos caminhoneiros no Brasil, a política de mercado do PMDB/PSDB na Petrobras e no Brasil 

 

O Movimento dos caminhoneiros é apoiado pela população?

Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (30/05), o movimento dos caminhoneiros teve apoio de 87% dos entrevistados, além disso 56% gostariam que a paralisação continuasse para pressionar a redução do preço dos combustíveis contra 42% que preferem que o movimento termine.

Somado a isso, 59% acham que as medidas tomadas por Temer traz mais prejuízos que benefícios.

 

Qual é a reivindicação dos caminhoneiros?

O principal pedido dos caminhoneiros foi pela redução no preço do diesel, regulado pela Petrobras. Temer prometeu uma série de medidas para compensar os motoristas do setor pelos próximos 60 dias, mas não mexeu no preço da gasolina e etanol.

92% dos brasileiros apoiam as exigências dos caminhoneiros, considerando justa. A avaliação de Temer no processo foi rechaçada por 96% acham que ele demorou demais para negociar e 77% desaprovam a forma de como foi feita. Esta crítica foi apontada pelo atual governador de São Paulo, Márcio França que contribui para resolução de vários problemas no processo.

 

O movimento revela a Privatização em andamento em diversos setores

O assunto da privatização da Petrobras é atacado por 55% os brasileiros e 15% não tinham posição clara.  

A privatização para grupos estrangeiros, como está sendo trabalhada para o sistema penitenciário do Amazonas, é rejeitada por 74%. A privatização da Petrobras e de outros setores é a moeda de troca do governo PMDB/PSDB para se manter no poder e beneficiar o sistema financeiro nacional e internacional (Bancos). O caráter público e nacional é defendido pela maioria dos brasileiros. Não é a primeira vez que tentam sucatear a Petrobras para privatizar, na época de Getulio Vargas se tentou, Fernando Henrique também e agora com Temer.

 

A paralisação da categoria dos caminhoneiros revela também que a categoria é dividida em setores diferentes, o que complica um pouco a ação conjunta. Uma categoria deve ser organizada e unificada para obter vitórias que contemple a todos.

 

O governo Temer, através do presidente da Petrobras Pedro Parente, tem feito relatórios contra a empresa no exterior, impedido que o Brasil produza em toda sua capacidade e refine o petróleo, tem dado subsídios para concorrentes da Petrobras dentro do Brasil. Por isso o governo PMDB/PSDB não possui apoio quase nenhum no país. E os processos de privatização que destroem os serviços públicos, também não possuem apoio. Este é o momento de defendermos a natureza pública do sistema penitenciário, portanto.

 

Entenda a paralisação e quem faz parte dessa categoria dos caminhoneiros

Existe uma tese na imprensa de que estamos enfrentando um lockout, ou seja uma espécie de empregadores. Segundo Ruy Braga, sociólogo professor da USP este não seria o caso. Existe um interesse de empresas de transporte ligados à tributação, no entanto as característica desta categoria não é de um setor facilmente instrumentalizado, ou seja que possa ser utilizado como massa de manobras.

Estimam-se mais de 2 milhões e trezentos caminhoneiros no Brasil, sendo donos de caminhões com agregados, 70% autônomos com relação informal de emprego e os demais empregados, como ocorre também de forma parecida com taxistas.

As condições de trabalho são degradantes. Passam em torno de 19 dias por mês fora de casa, rodando em torno de 10 mil km, com dificuldades de segurança nas estradas, incluindo má qualidade à assaltos, ou seja, roubo de fretes.

Longas jornadas de trabalho, como 24h de trabalho dirigindo. Isso não acontece por medo de assaltos, então não param em determinados lugares, preferem seguir. Os autônomos têm dificuldades de regulamentar sua situação perante as leis trabalhistas, aderindo muito pouco à regulação.

 

Porque reclamam do aumento do combustível? Porque pararam?

A maior parte deles são trabalhadores independentes. Trabalham com o seu caminhão e não têm nenhuma proteção. O frete depende essencialmente do valor do combustível, e quando o preço do combustível aumenta todo dia, como está ocorrendo agora, com a nova política de Temer, é claro que isso deteriora as condições de trabalho. Não possuem seguro saúde, ou odontológico, pagam todos os custos do caminhão.

 

Perfil desta categoria

É uma categoria que na média ganha quatro salários mínimos, por mais fretes que façam, devido aos custos que o trabalho gera.  A média entre os autônomos beira os 50 anos, já os diretamente contratados em torno de 43 anos. Há um certo tempo o jovem era o caracteristicamente quem entrava no emprego. Ele entrava numa empresa, com o sonho de comprar seu caminhão e tornar-se um autônomo. Hoje já não existem tantos jovens, eles não possuem incentivo. A renda líquida do autônomo e do empregado, ou terceirizado não é muito grande. A categoria, por conta disso envelheceu.

 

Sempre fazem protestos

A paralisação não surpreende, as paralisações e protestos de caminhoneiros são frequentes. Medidas paliativas tomadas pelo governo em relação a este trabalhador não suprem.

Os trabalhadores dependem do combustível, caso contrário não trabalha. O trabalhador precisa rodar muito para ganhar o que ganha. O preço do combustível regula o seu ganho. Se o valor do combustível é desregulado, torna-se imprevisível, ele não tem condições nem mesmo de traçar o valor de um frete. A política de condução de preços do governo tem criado este tipo de situação.



Condições de trabalho desta categoria

É importante que se destaque que é uma categoria sacrificada e de pouca visibilidade social, ou seja não desperta interesse da população. 25% deles tomam consomem substâncias lícitas ou ilícitas para ficar acordados, o que em médio e longo prazo tem efeitos devastadores no organismo. Existe uma situação crítica de condições de trabalho e que explica a adesão a esta paralisação.

Historicamente, uma categoria pouco representada, com instituições que as representam fragmentadas pelo país, subdividida em autônomos e empregados, e possuindo outras fragmentações representativas dentro dela. Um exemplo a ser citado é a principal organização de caminhoneiros existente apenas no sul do país. Por isso trata-se de uma organização histórica. É uma paralização nacional. E os motivos são desesperadores, o governo federal atualmente está deixando o interesse público em favor do mercado. A Petrobrás, que foi criada como empresa para obter ganhos econômicos com sentido de suprir as necessidades nacionais e proteger a economia nacional do aumento e baixa do valor do petróleo, foi entregue para o mercado internacional e está repassando estes aumentos de forma direta, estas mudanças de valor ocorrem quase que diariamente, o que inviabiliza o trabalho destes trabalhadores.

 

Perfil do transporte brasileiro

O Brasil é naturalmente dependente do transporte rodoviário, já que se utiliza dele para o transporte de toda e qualquer mercadoria. Hidrovias funcionam precariamente, o transporte ferroviário é mínimo (foi completamente desarticulado pelos governos do PSDB através de privatizações). O país hoje está integrado no mercado mundial, e toda a revolução econômica trazida pela globalização depende da logística de transporte. Isto nos coloca ainda mais dependente desta categoria.

Hoje talvez tenha se descoberto a importância da categoria, atores políticos importantes, mostraram-se perante a crise econômica brasileira. Esta descoberta tem a ver com a organização apresentada por esta categoria, com coragem e no momento histórico adequado para exercer pressão, como no ano passado agiram os trabalhadores penitenciários em Brasília contra a Reforma Previdenciária.