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Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo reúne-se com diretoria da unidade levando as demandas das agentes penitenciárias

 

A Penitenciária Feminina de Pirajuí recebeu a visita do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP) representado por componentes de sua diretoria, destacando a Agente de Segurança Penitenciária (ASP) Stella Kulaif Moreira, diretora de base da região e a vice-presidente Márcia, naquele momento representando a base feminina da categoria. Junto à elas o diretor jurídico Wellington Oliveira, o secretário geral José Ricardo de Oliveira Mesiano e o primeiro secretário Reinaldo Duarte Soriano.

A visita aconteceu na última quarta-feira, dia 10/01, a primeira do ano e faz parte do calendário de 2018 do SIFUSPESP que pretende atender ao chamado da categoria para estar nas unidades prisionais cobrando dos diretores gerais dos presídios melhorias de trabalho, atendendo as queixas do trabalhador penitenciário.

Os diretores do sindicato foram recebidos pela diretoria geral da unidade, realizando uma reunião para ouvir as dificuldades trazidas pelas ASPs. Segundo Stella, a diretoria geral da penitenciária comprometeu-se em verificar as situações levadas, demonstrando abertura e cooperação.

 

Stella ainda afirma que visitas como esta trazem credibilidade e força ao sindicato e são sempre benéficas, principalmente para as ASPs que sentem-se desamparadas em relação às suas necessidades. “Essa credibilidade foi se perdendo com o tempo e a nova administração do SIFUSPESP pretende retomar com ações desse tipo”, assegurou ela.

 

A mulher ASP e a Penitenciária feminina

Uma penitenciária feminina tem grandes diferenças se comparadas com uma masculina. Mulheres chegam até ela por cumplicidade aos seus companheiros envolvidos com o tráfico. Muitas são mães e possuem forte ligação emocional com os filhos e grande sensação de perda e isolamento.

Segundo Stella Kulaif Moreira, a superlotação e o déficit funcional são os principais problemas enfrentados pela funcionária prisional. Para ela, a dupla jornada enfrentada pela mulher também desgasta a ASP.

“Somos esposa, mãe, filhas. Nossas demandas em casa são praticamente infinitas. Não temos descanso. Na penitenciária, especificamente em Pirajuí, vejo mais do que coragem nas companheiras e por isso respeito o trabalho das agentes de maneira responsável. Conheço a realidade e resolvi lutar pela mulher servidora”, explica a diretora de base.

“Vamos além da nossa responsabilidade. As ASPs acabam sendo as ouvintes do desprovimento das presas, que muitas vezes querem apenas desabafar. A ASP acaba acumulando função de “psicóloga”, “assistente social” e “enfermeira”, além de assumir o cuidado de dois ou três postos de guarda”, relatou.

“Muitas companheiras acabam tão cansadas e doentes que saem de licença. Muitas vezes precisamos de apenas um dia de silêncio. Não temos. Temos nossas necessidades emocionais. Não conheço uma ASP que não faça uso de medicamento para depressão ou ansiedade, ou algo mais grave”, afirmou.

 

Necessidade da luta sindical

O SIFUSPESP entende que devido as mudanças políticas do país, um enfraquecimento sindical acabou acontecendo. Mas o SIFUSPESP, com sua nova diretoria, tem sido um dos sindicatos no país que tem apontado sua política sindical no sentido contrário, ou seja da luta, e estamos no momento de nos unir e nos fortalecer. “Nesta visita percebi que a categoria sentiu uma aproximação e uma esperança de que o sindicato esteja sempre presente, como pretendemos”, disse a vice-presidente  do sindicato, Márcia Barbosa.

“Organização e militância constante farão com que as ASPs sintam a presença dos representantes da categoria e representadas unam-se a luta, agregando força”, finalizou a vice-presidente.