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Este texto é composto do material impresso distribuído na assembleia contra a privatização, ocorrida no dia 23 de janeiro. O conteúdo busca dar uma dimensão dos desafios que estamos enfrentando e porque o SIFUSPESP tem tomado determinadas atitudes, explicado e mobilizado sua categoria de forma direta e sem meias palavras. Em nossa realidade de trabalho isso vale muitas vezes a preservação da vida de muitos companheiros de trabalho.

 

Por isso é importante compreender, como já temos explicado há muito tempo, que estamos em um momento histórico. O apresentaremos em pontos, para melhor entendimento. Privatizações estão acontecendo em em todo o mundo de modo acelerado e forçado, o que já está gerando problemas em muitos lugares. A exemplo da França.

 

  1. Por que?

Estamos em um momento de crise econômica e política MUNDIAL. Não está acontecendo apenas no Brasil. A crise alcançou bancos e empresas multinacionais, cujos donos querem manter o CONTROLE DA ECONOMIA E POLÍTICA MUNDIAL.

 

  1. Por que isso acontece?

Existe uma necessidade de criação de “Estados vazios”, ou seja, da ausência do Estado em qualquer setor por meio a privatização de grande parte do Estado, o país aqui em questão - Brasil - ficará ainda mais desestruturado.

Deixando claro que os demais países também passam por situação semelhante neste mesmo momento. Como dito, a crise é mundial e assim países mais pobres acabam ficando muito fragilizados em diversos setores, principalmente os essenciais para a população, em geral e protegidos pela Constituição Federal, que no momento é ameaçada e de certa forma, burlada. Aqui citamos Educação, Saúde e Segurança Pública.

  1. Como é afetada a segurança pública com a privatização?

A segurança pública dentro desse contexto é afetada de tal forma que traz problemas à segurança nacional. O fato de receber contra-ataque de outros países ou do crime organizado é o que exemplifica. Ou seja, com Estados menos eficientes, o país pode sim chegar ao descontrole. E o sucateamento de TODA a segurança pública será inevitável direta ou indiretamente. Não se enganem amigos policiais, o ataque é contra todos nós.

Veja em:

https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2019/01/doria-veta-protecao-e-auxilio-a-policiais-e-servidores-da-seguranca-publica?fbclid=IwAR3FXvbUwBK1MGRKS4CihrJ9uaGDP7rnB3OwN9EtrdIQ9SgOteGOr4jBow0

 

  1. Quais são os principais objetivos dos donos de empresas, bancos e políticos brasileiros e internacionais ?

Que aconteça o fim da Previdência Pública, a venda de Estatais, dos Bancos, do Petróleo e dos PRESÍDIOS.

PRESÍDIOS SIM!

Entenda em:

  1. Por que o capital externo têm interesse nos presídios?

Os Estados Unidos possuem mais de 80% de todos os presídios privatizados no mundo. Mas lá agora estão os estatizando. As empresas donas dos presídios estadunidenses são detentoras de capital e possuem muito dinheiro. São Empresas Presídio e Modelos de Gestão de Policiamento. É o mesmo modelo que está propondo o Governo do Amazonas, aliado ao ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que neste jogo já sabe ganhar muito com isso. Giuliani possui experiência em Empresas Presídios, o que não significa uma boa administração ou prestação de serviços, mas tem foco na lucratividade. Tanto que nos Estados Unidos o seu modelo já entrou em xeque, envolvendo corrupção e exploração. Para o Estado, é um modelo que apenas encarcera e se utiliza do trabalho do preso, além de possuir trabalhadores - ou agentes penitenciários sem experiência, que permanecem por curtos períodos no trabalho devido à periculosidade e ao mau ganho salarial.

 

  1. Qual é o Perfil das privatizações penitenciárias?

As privatizações são mais caras que o modelo estatal (PELO MENOS O DOBRO DO VALOR POR PRESO PAGO PELO ESTADO PARA A EMPRESA). Possuem diversas garantias para pagar as empresas (parecido com empresas de ônibus) - ELES RESERVAM UM FUNDO PARA ISSO MUITAS VEZES.

 

NÃO SÃO EFICIENTES, como tanto é reafirmado pela mídia e pelo recém empossado governador do Estado de São Paulo, João Dória (PSDB). É importante esclarecer que a PENITENCIÁRIA DE RIBEIRÃO DAS NEVES, EM MINAS GERAIS, TEM TRABALHANDO 21% DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA), já o SISTEMA EM SÃO PAULO, 27% (média até 2017). E pior, esta unidade é exceção, porque nela há seleção de presos, a experiência geral de privatização penitenciária no Brasil é de um acúmulo de DESASTRES.

  1. Qual é a lógica afinal?

A LÓGICA É DE NEGÓCIO. INVESTIR DINHEIRO QUE NUNCA INVESTIRAM E JUNTO DISSO VEM A REFORMA DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA E O FIM DA ESTABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO

O problema é seríssimo, mas PODEMOS LUTAR CONTRA ISSO, COMPREENDENDO A SITUAÇÃO COMO REALMENTE É E NÃO COMO DECLARAM A MÍDIA OU NOSSOS

GOVERNANTES. É só observarmos aqueles que já possuem essa compreensão há certo tempo: MILITARES, JUÍZES, PROMOTORES E DEPUTADOS. Por isso estão lutando para manterem os direitos que os beneficiam e em meio a esta guerra de poderes e acúmulo de capital de empresas externas dentro do país, estarem protegidos.

Leia mais em: http://webmail.sifuspesp.org.br/noticias/6361-visao-negocial-gera-bem-publico-e-protege-a-populacao

 

  1. A Segurança Pública como um todo (policiais civis, militares, e guardas civis, etc) está em risco com a privatização penitenciária?

A SEGURANÇA PÚBLICA ESTÁ EM RISCO. Começaram pelo lado mais fraco, sendo notório com as negativas do governo Temer para a inclusão do SISTEMA PENITENCIÁRIO do artigo 144 da CONSTITUIÇÃO.

A manobra não é nova. Além disso, ATACAM O SISTEMA PENAL POR MEIO DA MÍDIA (matérias que destacam o servidor público como ineficiente ou contraventor dentro do mesmo sistema aparecem na grande mídia todos os dias.

O GOVERNO TAMBÉM ATACA deixando de investir, de contratar, abandonando e entrando com o discurso de que a privatização solucionará o problema. Isso nos enfraquece.

A crise inclusive pode afetar a POLÍCIA, categoria que parece estar protegida, já que é citada como prioridade pelos governantes. Um exemplo que aqui podemos usar do sucateamento de um serviço público oferecido pelo Estado, é a FRANÇA. O país passa por uma crise abissal, já que o Estado NÃO REALIZA CONCURSOS para policiais há muito tempo, quando iniciou o esvaziamento do Estado e as privatizações. O resultado disso é a falta de efetivo, sobrecarga de trabalho e TODA A SEMANA VÁRIOS POLICIAIS

SE SUICIDAM! Uma realidade bem conhecida por aqui no meio penitenciário. ESTA REALIDADE NO BRASIL só fará a situação piorar, é só imaginar o quadro um passo à frente: privatizam o sistema, o crime avança ainda mais moderno, com o pacto PCC e CV. Sendo que o CRIME É UM NEGÓCIO DE CAPITAL TÃO FORTE que pode tomar conta do Estado nas privatizações ou quando o Estado ficar mais fraco.

Veja mais sobre essa tendência em: https://www.dw.com/pt-br/pol%C3%ADcia-francesa-enfrenta-onda-de-suic%C3%ADdios/a-46787870

 

É UMA IRRESPONSABILIDADE FAZER UMA PRIVATIZAÇÃO GENERALIZADA DO SISTEMA, SEM ANTES HAVER UMA AÇÃO REAL QUE CONTROLE O CRIME ORGANIZADO

(QUE NÃO ESTÁ NAS CADEIAS, ESTÁ TAMBÉM NAS CADEIAS - EXPLORANDO PESSOAS).

 

  1. Quais foram as razões para o ato histórico do dia 23 de janeiro?

Nosso ato foi feito em virtude da situação de ataques: Quando era prefeito de São Paulo, em 2017, o atual governador chamou os servidores públicos de excrescência (excreção, excremento, merda), afirmou que o trabalho só serve para cabide de emprego de pessoas que querem um trabalho eterno e não o realizam com qualidade. Chamou o servidor público de desnecessário, ao contrário, de peso. Ou seja, “a culpa é do servidor."

  1. Quais são as táticas novas nestes novos tempos?

VAMOS FAZER NOVAS REUNIÕES COM A CATEGORIA PARA TIRARMOS AÇÕES EM TODO O ESTADO - COM TODOS OS SETORES.

Não vamos sentar em uma mesa de negociações com o governo somente, ISSO NÃO FUNCIONA MAIS NESTE MOMENTO.

Precisamos pressionar. O sistema está em nossas mãos. Podemos paralisar o sistema, e temos diversas ferramentas para isso.

O SIFUSPESP está preparado para uma luta real e estrategicamente pensada que envolve ações coordenadas com todos os setores da categoria (o que parte de sindicatos acabam dividindo) e o Sifuspesp detêm materiais e planejamento de ações reais que não combinam com ações para reunir representantes de sindicatos em uma mesa para parecer que estão juntos. Não podemos mais tolerar ações dúbias e sem preparação contra objetivos concretos. O mais importante nisso é a unidade da categoria, temos de estar unidos e organizados.

  1. Unidos e organizados? Para quais objetivos reais?

Categoria! Não dá mais para cada um pensar só no seu lado. Categoria unida e compartilhando lutas também com toda a segurança pública.

Por isso saibam que agora é todo dia a luta para:

  1. não perder emprego;
  2. evitar maior assédio moral (que pode aumentar),
  3. estar atento à ação do crime (porque eles têm interesse na privatização).

Não podemos nos permitir ser divididos por debates políticos, de ataques pessoais ou de setores da categoria. Ou mesmo com "polêmicas" que resultariam em nada ou menos que estarmos concentrados em um plano que nos una em objetivos comuns. Por isso o SIFUSPESP não acredita neste momento em diante na unidade que não seja o sindicato único. Não se pode arriscar quando consideramos que se não fizermos nada, corremos o risco da privatização e do fim da estabilidade, e muitos não nos levavam em conta. Temos responsabilidade com a vida de cada um de nossa categoria.

Veja mais sobre estes riscos em:

https://www.sifuspesp.org.br/noticias/6361-visao-negocial-gera-bem-publico-e-protege-a-populacao?fbclid=IwAR37Q_VauKFH3H_fVVoFKAk8jhptNKeso9kfz07GJoZuUWiG-NTaWYjmHow

A última grande luta foi uma greve que foi vendida e agora não podemos falhar.

Só aceitaremos ações em conjunto SE sindicatos publicarem assembleia para unificação. O sistema penitenciário privatizado leva ao risco da segurança nacional (crime avançando + união das facções + estado sem força)  = antes de falar de privatização tem que ser debatida a questão de um plano nacional contra esse risco e se privatizar o sistema perde uma arma fundamental.

 

Pedimos para que toda a categoria siga as redes e esteja atenta aos seus informes. Distribuam nosso material, participem das redes! Defendam o sistema público! A guerra também é comunicacional. Em breve vamos soltar instruções e materiais a respeito.

 

  1. REALIDADE SE IMPÕE, NÃO É SÓ PARA DEBATES. Não podemos arriscar menos que nosso melhor esforço.

Somos um dos primeiros sindicatos no Brasil a encarar este problema. Agora a luta é todo dia! Sim, ela não vai terminar esta semana. Temos consciência disso e estamos preparados para isso.

 

O SIFUSPESP não errou uma ANÁLISE desde que assumiu a nova diretoria e pede para sua categoria que confie e una as forças! O Estado está sendo reduzido por meio das privatizações, fim da estabilidade do servidor (mudança constitucional), porque o objetivo do governador João Dória, PSDB, é ser presidente com o apoio de todos estes empresários e bancos nacionais e internacionais.

O SIFUSPESP tem mantido a categoria ativa e antecipando a tendência desses problemas que agora acontecem. Leia: https://www.sifuspesp.org.br/dossie-privatizacoes Leia também: https://www.sifuspesp.org.br/images/documentos/outros/Manifesto_Sifuspesp.pdf

“Nossa vida não será fácil e somente o que pode mudar isso é a nossa mobilização. Conto com vocês e aguardo a reunião com o secretário, porque nós, trabalhadores conhecemos o sistema penitenciário”, disse Jabá.

 

Ele sabe fazer marketing político, MAS NÓS SABEMOS FAZER O SISTEMA PRISIONAL FUNCIONAR, NÓS TEMOS A INTELIGÊNCIA INTERNA E QUE FUNCIONA, NÓS SOMOS A LINHA DE FRENTE NA LIDA NAS PRISÕES CONTRA O CRIME ORGANIZADO.

 

NUNCA FOMOS RECONHECIDOS. A LUTA MAIS IMPORTANTE AGORA É PELA MANUTENÇÃO DO NOSSO TRABALHO, PELA SOBREVIVÊNCIA DE NOSSAS FAMÍLIAS E

PELA SEGURANÇA PÚBLICA DO PAÍS.

O BRASIL PRECISA DE NÓS!

O sindicato somos todos nós, unidos e organizados. Quando todos estivermos juntos, só fará sentido que o sindicato seja único. Filie-se!

 

São Paulo, 23 de janeiro de 2019

O sindicato somos todos nós, unidos e organizados!