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Por Flaviana Serafim*

Como parte da nova etapa do chamado Plano São Paulo de combate ao coronavírus (COVID-19), o governador João Doria anunciou no último 27 de maio a retomada gradual de algumas atividades com zonas de controle separadas por regiões do Estado paulista, a partir deste 15 de junho. 

Diante do crescente números de casos da doença no país, que tem São Paulo no centro da pandemia, a direção do SIFUSPESP está preocupada com essa retomada das atividades. A reabertura do comércio, com o consequente aumento do total de pessoas circulando não só pelas ruas, como também aglomeradas no transporte público, tendem a piorar o quadro já bastante grave das contaminações. 

A Região Oeste paulista é que mais concentra casos de coronavírus entre os servidores penitenciários, com 78 contágios, dos quais sete mortes, conforme apuração realizada desde março pelo sindicato. Porém, como mostra o quadro, no Plano São Paulo do governo estadual, a área está classificada como “zona de risco 3”, que é de flexibilização e onde vai ocorrer maior liberação de atividades econômicas, com abertura total de escritórios indústria e construção civil, e no caso do comércio de rua, shoppings, bares, restaurantes e similares, o funcionamento será com redução de horário. 

Por isso, a orientação do SIFUSPESP é para que os trabalhadores penitenciários sigam tomando todos os cuidados necessários mesmo fora das unidades prisionais, com uso de máscaras e do álcool gel permanentemente, seja nos meios de transporte, comércio ou qualquer outro espaço coletivo. 

“Infelizmente estamos distantes do pico de contágio no Brasil e bem agora, que a situação está mais alarmante do que antes, o governador João Doria quer flexibilizar? Isso é um erro enorme e nem é  preciso muito tempo para vermos isso. É um erro que vai custar inúmeras vidas, então, vamos seguir nos cuidando dentro e fora dos muros das unidades porque o cenário será ainda pior. Não vamos nos enganar com uma flexibilização que coloca a nós, nossas famílias e toda a sociedade em risco”, alerta Fábio César Ferreira, o Jabá, presidente do sindicato. 

Na avaliação do sindicalista, antes da retomada das atividades, o governo paulista deveria seguir o exemplo dos países europeus que garantiram testagem maciça para suas populações para detecção rápida, principalmente dos casos assintomáticos, e isolamento dos infectados para barrar o aumento dos casos. 

“Devíamos seguir o exemplo desses países que conseguiram controle da situação com a testagem em massa e não só no sistema prisional, mas toda a população, e principalmente no interior paulista isso não está ocorrendo. Se nem os servidores da linha de frente e os que têm contato pessoas infectadas estão sendo testados, e quanto à população em geral?”, questiona Jabá, e completa: “Fica aí um alerta porque, se o governo quer flexibilizar para o comércio quer voltar à normalidade, no mínimo tem que ter testagem para toda população, além de equipamentos de proteção individual”.

> Confira os dados de contágio no sistema prisional por região

Aumento de casos e sobrecarga no sistema de saúde

A capital paulista e a Região Metropolitana estão em segundo no total de contágios entre os servidores do sistema prisional, com 51 infectados e quatro trabalhadores penitenciários mortos pela COVID-19. No Plano São Paulo, a capital está na zona 2 de controle, a maioria dos setores estarão restritos a atividades essenciais, mas outros abrirão com horário reduzido, como escritórios, comércio de rua e shoppings centers, e  toda a área metropolitana está na zona 3, onde as atividades serão flexibilizadas. 

Considerando a imensa população e a mobilidade das pessoas entre as regiões, a tendência de aumento dos contágios é ainda maior, piorando as condições do sistema de saúde que já está sobrecarregado, principalmente as unidades de saúde pública da capital e Grande São Paulo. 

Quanto ao interior paulista, é importante destacar que apenas as cidades maiores têm hospitais com unidades de terapia intensiva (UTI) para atender aos doentes, obrigando que os contagiados nas cidades menores tenham que se deslocar para conseguir atendimento minimamente adequado e também aumentando os riscos de infectar outras pessoas neste trajeto. 

Confira a íntegra do Plano São Paulo apresentado pelo governo estadual no final de maio

*Alterado em 08/06/2020, às 18h53 para atualização de informação