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 Por Paulo Francis Jr da AVL e colunista semanal do Jornal Integração

 

Com franqueza... "Eu nunca precisei fingir que sou uma pessoa boa. Nunca precisei fingir que eu não estou nem aí quando eu estou mais aí do que aqui. Não faz meu tipo. Me esforço às vezes pra ser romântica, pra acreditar nos planos, pra acreditar nas pessoas. Nunca chorei pra convencer. Talvez porque não faça questão de convencer... Sou boa, sou má. Sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mouse de maracujá. Só não sou um brinquedinho. Que alguém joga no canto do quarto quando não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar."

A descrição no primeiro parágrafo da escritora mineira Brena Braz, nos parece bastante peculiar ao pensamento de hoje. Temos nossas afinidades, mas também algumas grandes  diferenças. Várias chatices! Muitos de nós não percebemos o quanto somos intragáveis para os outros. Isso mesmo! Há quem não nos tolere. Os motivos são os mais diversos e somente Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise, se vivo fosse, poderia explicar. Há um sentimento de repulsa que nos invade a todo o momento. Tem gente que somente se sujeita ao outro por causa do cargo ou do dinheiro que o outro tem. Tem empregado que não atura patrão. Filho que não suporta os pais. Ou vice-versa! Torcedor não agüenta jogador cai-cai... Por falar nisso, ouvi, pelas ruas de Presidente Venceslau, os comentários sobre o locutor esportivo Galvão Bueno, em sua possível "despedida" da Rede Globo. "Já vai tarde," diziam. Nem Zagalo o engole mais. Xô!

Estava sentado na praça Nicolino Rondó outro dia, na Banca do Gérson. Na televisão, o comentarista de futebol Neto dizia que "renovou seu contrato mais uma vez com a TV Bandeirantes." Um senhor que estava lá retrucou: "Não sei como as pessoas agüentam esse cara?! Esse sujeito é insuportável!" Embora assim, deve ter algo de valor neste comentarista... Estava assistindo o filme "Nada a perder - contra tudo. Por todos", no Netflix. É evidente que é uma biografia paga, mas não deixa de ser bem feita. Eu recomendo! Acontece que no enredo, os parentes do bispo Edir Macedo não tiveram constrangimento em dizer para ele: "Você não tem chamada para o ministério pastoral!" A trama dava a entender que ele queria fazer a obra, mas era insuportável aos demais parentes, também pastores. Esse tipo de desfeita fortalece os que têm algo a oferecer! Edir fundou um império religioso gigantesco! O desaforo, o desprezo de pessoas próximas, serviu de grande incentivo.

Não me iludo como escritor e cronista. É possível que estas linhas, postas aqui semana após semana, durante mais de 21 anos, sejam fastidiosas. Um tédio para muitos! Já fui, mais de uma vez, ameaçado de prisão! Todavia, há sempre muito mais valores nelas do que se imagina, senão não estariam por aqui por tanto tempo. Isso é um dilema enfrentado até no amor! João Mineiro e Marciano cantavam: "Eu amo e odeio, quase ao mesmo tempo, a mesma pessoa." Quantos casais se toleram?! Amar e odiar nunca foi tão usado como agora. Nas redes sociais temos bons amigos, amamos demais as pessoas... Até que publiquem algo a que somos absolutamente contrários! Irritados, bloqueamos os que nos contradizem. Ou que pensam de forma diferente! A vida se tornou um imenso lugar para descartar amizades. Até por coisas bobas! O de que não gostamos, jogamos fora e pronto. Rsss...

O fato é que podemos ser bacanas, altruístas, alegres, respeitáveis, atenciosos e mesmo assim, há quem esteja extremamente aborrecido conosco. É antipatia gratuita. Não vão com a nossa cara! Críticas exageradas, por exemplo, podem ter como motivação a inveja pela nossa popularidade! Aqueles com maior percepção, sabem exatamente do que estou falando. São relações complicadíssimas! Por vezes, há pessoas que são rejeitadas por grupos inteiros de escola, de trabalho, de futebol ou até de igreja. Por quê? Porque são inconstantes, egoístas, rancorosas, arrogantes, vingativas, grudentas, ladrões de idéias, briguentas, puxa-sacos, hipócritas, insatisfeitas com elas mesmas e sempre desmerecendo os outros. Gente cricri pra caramba!!! O apóstolo Paulo disse para "suportai-vos uns aos outros pelo amor do Senhor", mas é preciso que cada parte envolvida ceda um pouco. A mala sem alça - pesada! - pode ser cada um de nós...