Veridiana Dirienzo

Educadora Social e Psicanalista
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Nos último meses o SIFUSPESP tem participado das reuniões sobre saúde do trabalhador, como a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat) no CDP Pinheiros e o encontro com o CQvidas. Um dos objetivos, além de estar perto da categoria ouvindo seus anseios e desafios encontrados no local de trabalho, é para além disso ,abrir um espaço de prática de fala do trabalhador penitenciário com sindicato e Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), considerando que  o sindicato considera o diálogo o maior instrumento dos trabalhadores penitenciários é o diálogo.

É por meio do diálogo que o trabalhador do sistema prisional e o sindicato podem pensar juntos nas resoluções dos desafios encontrados no dia a dia. É importante ressaltar que quando falamos diálogo, não se resumimos apenas ao falar sem pensar no processo organizativo. Falamos do diálogo como um processo, o primeiro passo para que possamos organizar as necessidades concretas do local de trabalho. A partir daí então, podemos pensar que a o diálogo frutificou, colhendo assim os desafios que precisam ser trabalhados.

Não basta, pensar que sozinhos enfrentemos o dia a dia das penitenciárias, ou que munidos de boa fé encararemos todos os problemas. A categoria dos agentes penitenciários está em segundo lugar das profissões mais estressantes do mundo, avaliado pela Organização Internacional do trabalho (OIT). Não podemos negar o alto índice de doenças causadas por exemplo pelas condições insalubres das cadeias. Temos os recentes casos de tuberculose descobertos no CDP de Santo André. Precisamos pensar como superar essas condições,  que são do direito d trabalhador, entretanto, não acontecem na prática.

As precárias condições das penitenciárias acarretam problemas para a saúde em diversas esferas. Os sintomas físicos, os primeiros a aparecer, como a hipertensão, diabetes, obesidade dentre outros. Concomitante a esses problemas, os altos índices de uso de entorpecentes, nos mostram que a subjetivamente a categoria sofre de depressão, ansiedade, entre outros, e que a partir desses problemas, o uso de entorpecentes acaba surgindo. Apenas um exemplo de como o processo de piora na saúde está interligado.

Estamos falando de uma mistura perigosa de problemas de insalubridade das penitenciárias somados aos problemas físicos e psíquicos que traduzem a vida dos trabalhadores e desembocam na morte precoce de muitos.

O SIFUSPESP está de portas abertas para o diálogo, junto com a CIPA, e pela busca de melhores condições de trabalho. A saúde do trabalhador penitenciário é uma de nossas principais bandeiras. Sabemos que sem a saúde e qualidade de  vida dos guerreiros e guerreiras está altamente comprometida perante o quadro apresentado.

Para 2019 temos como meta a intensificação do trabalho do SIFUSPESP e CIPAS, por meio das visitas às unidades prisionais, concretizando nossos desafios penitenciários comuns e também singulares. Destacamos que estaremos contando com uma rede direta de atendimento psicanalítico que pode encaminhar o trabalhador para diferentes tipos de tratamento,  de ordem física e psíquica.

 

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